Métodos de Recarga

Esse é o primeiro texto de uma série onde pretendo explicar termos, mecanismos, materiais e afins que são comuns no mundo das canetas. Vai ser basicamente uma enciclopédia de caneta.

Pra mim, um dos charmes das canetas-tinteiro é poder utilizar diversas tintas. E obviamente a pergunta que sempre surge é: como faz pra recarregar a tinta da caneta? Existem diversos tipos de mecanismos de se recarregar uma caneta. Os mais comuns são os a seguir.

Cartucho

Os cartuchos de tinta são a forma mais simples de se recarregar uma caneta-tinteiro. O cartucho é um pequeno reservatório descartável que vem com uma pequena quantidade de tinta. Basta encaixar na caneta e ela já está pronta para o uso. Cada marca possui seu modelo de cartucho, apesar de existir também um modelo padrão. É preciso ficar atento ao tipo de cartucho da sua caneta.

A principal vantagem do cartucho é que ele é prático: quando um acaba, basta tirar o reservatório vazio e substituir por um novo cheio. Os cartuchos novos também possuem um lacre, o que possibilita o transporte sem o medo de sujar tudo.

Já a desvantagem é a quantidade pequena de cores disponíveis, além do custo-benefício não ser um dos melhores. O fato de ser descartável eu também considero uma desvantagem, embora seja possível reutilizar os cartuchos1.

O processo para a troca é bem simples. Canetas-tinteiro de cartucho possibilitam a desmontagem do corpo da caneta, para poder se ter acesso ao cartucho. Com a caneta desmontada, é possível puxar o cartucho antigo e encaixar o novo.

Conversor

Conversores são basicamente cartuchos recarregáveis. Com eles, é possível utilizar tintas de potes para reabastecer a caneta. Igualmente como os cartuchos, cada marca de caneta possui um modelo de conversor.

A vantagem dos conversores é ser uma forma barata e simples de utilizar vidros de tinta. O custo-benefício de um conversor com um vidro de tinta acaba sendo maior que o dos cartuchos. Muitas canetas acabam já vindo com um conversor juntamente com um cartucho. A desvantagem é que muitos conversores tem uma capacidade menor de tinta que os cartuchos do mesmo tamanho. A seguir alguns tipos de conversores.

Pistão

Os conversores de pistão funcionam com um êmbolo que sobe e desce quando se gira a parte traseira do conversor. Primeiro, deve-se estender o pistão, retirando assim todo o ar ou tinta que estiver no reservatório. Com o pistão completamente estendido, coloca-se a pena da caneta dentro do pote de tinta e então gira-se o mecanismo no sentido oposto. O êmbolo sobe, puxando consigo a tinta para dentro do reservatório.

Pressão

Os conversores de pressão são pequenos sacos de borracha ou plástico maleável. Para recarregar um conversor de pressão, deve-se colocar a pena da caneta dentro do vidro de tinta e apertar o conversor algumas vezes até que esteja cheio de tinta. Ao apertar o conversor, o ar é expulso de dentro do saco e ao liberar a pressão a tinta é sugada para dentro dele.

Botão

Conversores de botão não são tão2 comuns. Eu inclusive só conheço um, o Pilot CON-70. O botão serve como uma pequena bomba de ar. Ao ser pressionado, ele retira o ar de dentro do reservatório e cria um vácuo. A tinta então é sugada para o reservatório.

Embutidos

Algumas canetas tem seu próprio mecanismo de recarga embutido. A principal vantagem é que canetas com mecanismos encorpados são mais fáceis de fazer a recarga, já que não precisa desmontar a caneta para ter acesso ao cartucho ou conversor. Outra vantagem é o tamanho do reservatório: geralmente são bem maiores que cartuchos ou conversores, por aproveitarem melhor o espaço interno da caneta.

Eu também acabo preferindo os embutidos por gostar das soluções inventadas para incorporar a funcionalidade do mecanismo ao design da caneta.

Alavanca

Esse é o mecanismo clássico de canetas-tinteiro, utilizado muito em desenhos animados antigos. O funcionamento é similar ao dos conversores de pressão. Dentro da caneta existe um saco de borracha que ocupa todo o espaço interno dela. A alavanca serve para pressionar o saco sem precisar desmontar a caneta. O mecanismo é muito mais comum em canetas vintage. 

Pistão

Semelhante aos conversores de pistão, o corpo é transformado no reservatório e a traseira da caneta gira para fazer o êmbolo se mover. Dos mecanismos embutidos, esse é o mais comum.

Vácuo

Já as canetas com mecanismo a vácuo funcionam com um bastão com uma borracha na ponta. Ao movimentar o bastão, cria-se um vácuo no corpo da caneta que só é aliviado quando a borracha se conecta no fundo do mecanismo, possibilitando que a tinta seja sugada para dentro do corpo.

A desvantagem dos mecanismos embutidos é a dificuldade da limpeza. Acaba sendo bem mais complicado desmontar a caneta para limpar todas as partes, e fazer ciclos de recarga apenas com água acaba sendo demorado e não tão eficiente. Outra desvantagem é o preço. Canetas assim são mais elaboradas e acabam sendo mais caras, apesar de estar acontecendo uma mudança e tenham surgido alguns modelos acessíveis de canetas com pistão embutido.

Mas eu não vou negar que fazer a manutenção, limpeza, recarga e teste das minhas canetas é uma das partes mais proveitosas do hobby para mim. É o momento em que eu dou uma parada na correria da vida e me concentro naquilo que eu gosto de fazer. Terapêutico praticamente!

Entendo que não seja o mesmo para todo mundo, principalmente para quem só quer uma ferramenta de escrita. E para essas pessoas, se você só vai manter uma tinta e uma caneta o processo todo é super simples.

No fim, esse é um dos principais atrativos das canetas-tinteiro para mim: o fato de ser possível reutilizar elas por anos e anos e com isso acumular história com elas3. E é com esses mecanismos de recarga que mantenho as canetas vivas por mais tempo.


  1. Basta uma seringa e um pote de tinta

  2. Desculpa.

  3. Minha Pilot Custom 74, por exemplo, assinou todos os meus contratos importantes e já até casou um amigo!